quinta-feira, 28 de maio de 2009

No padrão


A fofa da Nádia Tamanaha, minha amiga também jornalista (que trabalha na Boa Forma, da Editora Abril) meio que solucionou o mistério do post abaixo. Nos contou em primeira mão que uma repórter da Elle entrevistou Scott Schuman e tirou do moço a declaração nada lisonjeira de que a moda brasileira não tem criatividade. (!!!!) .......... (espaço para reflexão)

E cá entre nós, ele tá errado? Cara, num tá! A brasileira tem o péssimo habito da padronização. Do cabelo à sapatilha, tudo tem que ser dentro de uma determinada expectativa que é o que tá rolando, o que (todas) as outras mulheres estão usando. Há um medo, quase um pânico, de ser diferente. Quando o legal da moda é justamente a possibilidade de se diferenciar, de ser única. Entrevistei para uma matéria de comportamento uma garota super charmosa, francesa, que mora no Brasil há 4 anos e conversamos bastante sobre a diferença entre as brasileiras e europeias. O cabelo dela, de um curto bem cortado e feminino, parece se integrar à sua personalidade. As brasileiras tem apego ao cabelão e há as que não cortam mais de dois dedos nem por decreto federal, mesmo que um corte mais ousado venha a valorizar seu rosto e até a deixe mais bonita. Um cabelereiro francês amigo dela passou aqui uma temporada e voltou dizendo que jamais conseguiria trabalhar aqui, onde só ouviu o clássico "não vai cortar demais, hein?". Sobre as roupas, ok que lá até as fast-fashion são de fato baratas e pode-se encontrar peças de bom corte, caimento e acabamento. E há os novos designers que estão sempre dando um sopro de novidade às ruas, a preços acessíveis. Não é necessário ser milionária para ter um visual bacana e impecável.
Mas aqui o buraco é mais embaixo! Porque mesmo as ziliardárias não arriscam um milímetro além da fórmula que já conhecem como a certa. Padrão. Absolutamente padrão. Parecem que sairam de uma linha de produção fashion, vem lindas, porem semi-uniformizadas. Até se jogam em algumas tendências, como a boyfriend, a perfecto, as ankle boots, essas modinhas até que pegam bem (até demais, as pérolas que o digam), mas ainda assim vem sem um toque individual, sem o quê de originalidade que o Mr. Sartorialist gosta de retratar. É polêmico, mas concordo sem medo de represálias. E vcs, o que acham?
DETALHE: a passagem dele pelo Rio de Janeiro rendeu bem mais posts.... O "problema" é paulistano?

14 comentários:

Pestaninha disse...

Verdade seja dita! A brasileira nao ousa, somos muito presas a padroes Revista Claudia. Adoro quando vejo uma figura, geralmente na regiao da Paulista/Augusta/Unibanco Artplex com um look completamente diferente do circuito Iguatemi/Rua Amauri. Poderia passar um dia inteiro so analizando essas criaturas, mas dai a me produzir igual sao outros 500...minha coragem nao chega a tanto. Confesso que sou brasileira e paulistana. Corto so 2 dedos do picuma e o maximo na minha ousadia no foi uma bota bordada cheia de taxas...Acho que preciso repensar esse estilo.
Bjos.

Nádia Tamanaha disse...

Nossa, Má, concordo com tudo que você disse. Aqui na Abril, por exemplo, vejo muita gente moderna. Mas sempre com as mesmas referências: meia calça, ankle boots, essas coisas... é difícil ver quem deixe esse padrão de lado e, de quebra, ainda acerte.

Quanto ao cabelo, não posso falar nada, né? Cortei o meu e me arrependo até hoje. Não vou mais cortar tanto hahahaha!

Beijo querida!

Ale Garattoni disse...

Well, a pedidos, vou dar minha opinião!!!

Eu morro de medo de pré-julgamentos, de conceito "certo X errado", de classificar uma pessoa -positiva ou negativamente - pelo que ela veste.

Concordo super que a brasileira ousa menos, mas acho que, em relação a isso, o buraco está muuuito mais embaixo. É cultural. Da mesma maneira que brasileiros têm o famoso "jeitinho" pra resolver problemas e americanos são mais sistemáticos e infexíveis, existe essa diferença na moda - que tem a ver com ofertas, tanto de moda como de informação de moda.

Maaas o outro lado da moeda pra mim é que não tem essa de "precisar" ousar. Ousar e se diferenciar são talentos que, infelizmente, uma minoria tem - e quem não tem e resolve ousar erra, erra muito.

Pense no próprio Sartorialist e veja que ele faz registros em capitais da moda, se ele estivesse em uma cidadezinha do tenessee não teria os mesmos cliques que tem em NY. Logo, não acho certo generalizar a moda americana por NY, a moda francesa por Paris. Os cliques são exceções das exceções.

Lógico que existe por aqui (e também em todos os países, em proporções condizentes com o número de habitantes de cada um deles) um exagero uniformizado. Mas não vejo regras: há gente estilosa com e sem grifes, há gente cafona com e sem grifes. E mesmo o estilosa e o cafona dão margens a várias interpretações, afinal, quer uma coisa mais pessoal do que gosto?!

Nisso tudo, eu só acredito em um conceito: o melhor estilo pra uma pessoa é aquele no qual ela se bem! Entre ousar só por ousar (sem de fato ter uma personalidade que combine com ousadia) e ir no básico pra ser coerente com sua própria vontade, eu voto na segunda opção.

bjooo querida!

Fernanda disse...

marilia, eu concordo em partes. ele passou mais tempo na austrália do que aqui e aos poucos tá postando - a gente não sabe se ele clicou muito ou pouco porque ele não posta tudo de uma vez, né? tem que esperar pra ver. e sério, ele veio contratado pra fotografar uma campanha, e passou o tempo todo dentro do shopping, e o blog dele é pessoal então… ele fotografa o que quiser, e posta o que quiser! liberdade na internet é isso aí, né? e eu nem acho que a gente (brasileiro) não tem criatividade, acho que a gente não tem os mesmos hábitos das européias - e o olhar do blog dele é PESSOAL! e ele não viu o BR inteiro, viu só jardins e shopping… ixi, tanta coisa!

Marília disse...

Realmente, entre ousar e errar e ir no "básico/clássico" e ficar bem, é mil vezes preferível a segunda opção. Obrigada pelos comments! uma discussão (do bem) é sempre produtiva, né? BJOS

Bruna Tavares disse...

Marília...acabei de conhecer seu blog, achei interessante e já coloquei nos favoritos(amo um blog de moda...e como jornalista naum tem jeito...leio tudo o que vejo na frente...rs)

Sobre a discussão...eu de fato pensei muito nisso, principalmente depois dos comentários(um pouco desnecessários na minha opinião) de Sartorialist!
A brasileira gosta de um cabelão(mas vamos combinar é lindo mesmo e feminino...mas isso não desmerece as de cabelo curto..é gosto...e ligado ao gosto masculino, porque os homens brasileiros preferem o cabelão num tem jeito...eh hours concours)
Quanto as cores ele disse que as paulistas só usam cinza, preto e branco...acho complicado julgar isso...
queria que ele desse uma passadinha da FARM...loja brasileira que esta bombando...assim como cantão que abusa das cores de forma coerente obviamente!
Acredito piamente que moda é muito mais que marca e padrão e sim estilo...estilo de vida!
Eu por exemplo sou apaixonada por croche...adoro uma bolsa diferenciada, um colar enfim...mas direta ou indiretamente sou influencida pela moda(mesmo porque as lojas oferecem aquilo que está na moda quer vc queira ou não...e muitas vezes fugir dela por pura rebeldia pode tornar o individuo ridiculo..rsrs...tipo "melancia no pescoço")
Eu amo os blog japoneses por causa disso...as meninas usam e abusam de conceitos de moda sem serem totalmente iguais...eh fantastico...e é isso que deve ser levado em conta o conceito,e aquele toque especial que vc menciona que destaca a personalidade...e claro a diferencia do todo...
mas no geral eu tenho visto bastante esse diferencial nas meninas principalmente com essa tendência maravilhosa que sobreposição...vejo cada combinação fantástica!
Assim como texturas diferenciadas, acessórios incriveis...
Mas a brasileira priva estar bem...somos "patricinhas" por natureza ...rsrs..então as vezes a Lady Gaga dentro de nós não transparece tanto..rsrs
No mais é isso...eu defendo as nossas até o fim...rsrs...
Acho que tem uma frase do Louboutin(amo)que eu li na Caras hoje(e culturaaa inútil...kkk)que acho que tem tudo a ver:
"Quem me inspira são as mulheres e não a moda".
Acho que somos bem isso...priorizamos a beleza(vulgo clássico) à modernidade desenfreada!beijosss amada...sucesso

Anônimo disse...

Oi, Marília,

Sua crítica de tão
contemporânea , ainda
que intrincada e
polêmica, está sendo
útil na prática!
O Post de eficiente
competência e de
uma inteligência audaz,
testou e comprovou com
eficácia que um up-grade
em moda e estilo próprios
são muito bemvindos.
Parabéns!
Bjs,
Catarina

Amanda disse...

Marilia, concordo demais com o que vc escreveu- falo com 26 anos de Leblon e 8 anos de cabelos escuros na altura do pescoço ( as vezes ate os ombros) nas costas.

Vc poderia dar o link dessa sua materia com a francesa? Me interessei em ler.

Bjs e parabens pelo blog.

Nádia Tamanaha disse...

Aaaai tá bombando! Adoro!

Marília disse...

Bruna, legal sua opinião. Uma produção que tende para o básico pode ganhar um charme todo especial com algo diferenciado como um crochê, que vc ama. e esse detalhe faz diferença. Tb amooo as japas, elas não tem medo nenhuuuummmmm!!!! Se jogam mesmo e se divertem, adoro! Bjoo!!!

Catarina, estilo próprio é mais que bem-vindo, sempre!!! Justamente por isso estamos levantando essa questão, né?Obrigada pelo carinho.

Amanda, a revista ainda está em produção, é para uma customizada que deve sair final de julho, mas assim que tiver a matéria eu te mando sim. Obrigada pela visita, volte sempre!

bjo grande!

Mário Araujo disse...

Má, gostei do tópico. Mas concordo em com tudo que vc diz, pois detesto fast fashione e esse modelo padrão de ser chique... Criatividade sempre, moda é exercício, paíxão diária adquirida com o tempo...

Tenho dó das patricinhas, é preciso ser grunge, ser hippie, ser happy... pra conhecer os estilos e tirar deles o melhor num look guarda-roupa totalmente seu.

Conhecer o corpo é importante, mesmo que a incrível Beth Ditto coloque isso em notinha de rodapé de livro e propague aos montes o use o que quiser...

Meninas, apeoveitem que vocês tem um guarda-roupa incrível, com uma gama de roupas gigantesca e ousem... Inpirações estão em todos os lugares, as importadas são ótimas, como Número, Vogue Paris, Itália e Japão.... Fujam do padrão Claudia e Vogue Brasil (que caiu e bateu a cabeça e continua fazendo revista para as mulheres quatrocentonas brasileiras)....

Revoluçãom da moda já!

Bjão, Má, continue assim, PenseModa.

Anônimo disse...

S-H-O-W-Z-Á-S-S-O!!!!!!!

mario araujo disse...

As fotos começaram a aparecer, um casal, um terno no banco, nada de especial... se as fotos da campanha tivessem sido feitas na augusta garanto que seriam mais interessante que no cidade jardim!!!

Mônica disse...

Adorei o post, ótima discussão! Concordo que a brasileira ousa pouco, e quando digo ousar não é apenas usar roupas completamente diferentes e sim sair da combinação blusinha, saltinho e jeans! E quanto ao cabelo tenho dificuldades quando quero diminuir com comprimento pois até os cabeleireiros ( !!!) se recusam!!!

Adorei seu blog! bjs