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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Notícias versus Literatura





       Um pensamento embalado em poesia musical que me é muito recorrente: “O sol na banca de revista... me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?” 

A preguiça caetaneada da abundância de informação impressa em 1967 viraria verdadeiro pânico no contexto digital atual, onde além das centenas de jornais e revistas ainda há um sem número de portais, sites, blogs. Me pergunto de fato o porquê de tudo aquilo, mesmo sabendo que há quem leia, que (por mais incrível que possa parecer) para todo tipo de site e blog há público. Mas nunca me vem tal pensamento em uma enorme livraria ou biblioteca. Com títulos do mundo inteiro, autores dos mais diversos estilos de narrativas, podem ser andares altíssimos tomados de livros até o teto. Sinto uma alegria enorme de estar ali em meio a tanta história, tantas possibilidades de uma leitura prazeirosa, um deleite antecipado só pela ideia de poder degustar algumas daquelas páginas. E aí está a grande diferença. As notícias, artigos e matérias de jornais, revistas e sites, periódicos de modo geral, de cunho jornalístico, documental, são efêmeras, um tanto quanto descartáveis. A notícia de amanhã substituirá a de hoje, assim como a de hoje substituiu a de ontem, que já está embrulhando peixes na feira, num ciclo sem fim e frenético, ritmo que a mim,  produtora de palavras, me desinteressa, me desencanta. Já os livros são perenes, perpétuos. Por isso a cada dia me vejo menos jornalista e mais escritora. Talvez não romancista, mas observadora de costumes e comportamentos, uma cronista do cotidiano, uma articulista de bastidores, porém não mais repórter, desprovida de opinião e imparcial.  

Escrever pensamentos autorais em blog e compartilhá-los é um pouco como aquela deliciosa conversa despretensiosa entre amigos, em que (guardadas as proporções tempo e espaço) um assunto puxa o outro de forma natural e espontânea. No post sobre as cartas, citei “O Rio é tão longe”, cartas de Otto Lara Resende ao amigo Fernando Sabino. O texto foi bem comentado por amigos nas redes sociais e três deles, inspirados pelos temas amor ou “correspondências que viraram obras literárias” e sabendo de meu amor pelos livros, me recomendaram novos títulos dentro do mesmo contexto. “Fragmentos de um discurso amoroso”, de Roland Barthes, “Minhas queridas”, cartas de Clarice Lispector às irmãs e “Cartas perto do coração”, correspondências trocadas entre Fernando Sabino e Clarice Lispector por mais de 20 anos de amizade. Amizade esta que, dizem os mais conhecedores dos grandes nomes de nossa literatura, era na verdade um grande amor, que não se concretizou por circunstâncias mil da vida de ambos. 



Por todos me interessei, mas deste último, talvez atraída pela história de amor frustrado, fui buscar  alguns trechos. Os lendo me dei conta de que as cartas relatam acontecimentos, portanto fatos, notícias. Mas notícias de sentimentos, percepções, que se compartilha com os amigos ou amor, viram de alguma forma uma realidade romanceada, literatura em potencial. Me identifiquei em especial com um trechinho de uma carta de Lispector ao amigo depois de uma viagem à França em companhia do marido diplomata. Tive um verdadeiro cansaço em Paris de gente inteligente. Não se pode ir a um teatro sem precisar dizer se gostou ou não, e porque sim e porque não.”

Clarice, minha querida... sei bem...



Aos franceses, ainda mais parisienses, sobra opinião, são abundantes os argumentos, é necessária a constante troca de ideias. Isso é intelectualmente instigante mas também cansativo.  E é algo que identifiquei como fato mesmo e vem desde a formação da cidade, a quem interessar possa um livro que traz muito sobre o tema é "A história secreta de Paris", do historiador Andrew Hussey

E voilá um post criado sob o efeito enebriante e perturbador do verão europeu (pior do que o nordestino, eu vos garanto), sobre tudo e sobre o nada. Cartas, amores, livros, Paris, meu desencanto com a mídia e minha vontade sonhadora de realidades mais romanceadas. 


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Brasil está na moda

Capa de um especial do Le Monde sobre o Brasil de 2010. "Um gigante se eleva"


É sempre muito interessante notar qual visão um povo estrangeiro tem de nós brasileiros, principalmente quando estamos no território deles. Um sentimento parecido com o de chegar em uma festa, descobrir no hall que estão falando de você e por isso permanecer lá quietinha e anônima alguns segundos para ouvir clandestinamente qual opinião a seu respeito.

A primeira vez em que estive na França, em 2001, Brasil era "o maior e mais populoso país da América Latina cuja capital é Brasília, uma moderna cidade planejada de ares futuristas projetada pelo grande arquiteto Oscar Niemeyer..." e por aí vai (sim, eles sabem tudo isso, franceses não são americanos, graças ao Bon Dieu), mas ainda assim extremamente exótico, distante e desconhecido. Hoje, mais de dez anos depois, o som da palavra “Brésil” desperta um sorriso ainda curioso, porém muito mais encantado e cheio de admiração. Não mais apenas pelo futebol ou pelo samba e Carnaval. Todos (unanimidade) amam a figura do Lula, viram nele o personagem do Brasil pobre e marginal que chegou ao poder (o que faz vibrar o espírito revolucionário e socialista de qualquer francês) sabem que elegemos uma mulher (opa, outro ponto para nós), que bem ou mal segue o “legado” do governo anterior* , nos vêem como economia pulsante, pungente, como um país em franco desenvolvimento (ao meu ver infelizmente apenas econômico e não educacional/cultural, mas aí meu bem, papo longo), sempre ensolarado e sorridente (já começa a mítica) e lançador de modismos e tendências. E neste último quesito estão certos. O Brasil está mesmo em voga.

As tradicionais espadrilles (alpargatas de tecido e solado de corda) são os calçados oficiais do verão europeu, mas se você é verdadeiramente cool andará por Paris ou St. Trop com um belo par de... Havaianas. Oui. A marca, que não é boba nem nada, abriu inclusive tem uma loja no... Marais. O arrondissement mais fervido da ville.

Todo salon de coiffeur que se preze tem no menu da vitrine dois itens obrigatórios: Lissage brésilien - Sim, acreditem se quiserem, nossa escova progressiva alisando geral a juba da moçada enfants de la Patrie... E Maillot brésilien - mais conhecida na Califa, NYC e adjacências como brazilian wax, aquela “virilha cavada” ixxperrtha que dez anos atrás só a Marlene da Silva, top depiladora do salão do seu bairro sabia fazer. Pois bem, já dominou geral. Todas querem ser brasileiras. O que ainda não se popularizou, malheuresement, é a bendita abençoada manicure brasileira (aquela que tira as cutículas, lixa e esmalta com perfeição), mas nos salões mais branchées, os mais sofisticados e caros, as manicures são brasileiras. Talvez portanto seja só uma questão de tempo para a Manicure Bresiliénne virar febre.

Fui com um grupo de amigos e amigas franceses em um pub de Saint Germain, na rue des Princesses, coração do Quartier Latin. Voilá, um calor dos infernos dentro daquele lugar e eles adooramm, "uhuul, verão, vamos suar". E eu morrendo, pedi ao barman “une boteille d´eau minerale, si vous plait”. (Se pedir une verre d´eau ou carrafe d´eau te dão água torneiral mesmo, que matar não mata, mas ainda estou estudando os efeitos, rs) Pois bem, um segundo depois, a música do bar mudou. O que começou a tocar? “ERA UM MENINO TOCADÔ QUE DISPENSÔ O AGOGÔ E O TAMBÔ PRA TOCÁ LATÁÁÁ”, Daniela Mercury berrando lá nos idos de 1990 e tralálá, estão lembrados? 

Em momento algum ninguém perguntou minha nacionalidade. Mas pelo “accent”  fui identificada e já imediatamente “premiada”. Ou punida, entendam como quiserem. O que se seguiu foi Vanessa da Mata em dueto com Ben Harper em “Boa Sorte” e de volta à programação normal, porém sempre com um pé na latinidade, o barman que era também o DJ (multitarefas, a gente vê por aqui. Reflexos da crise, talvez?) mandou ver com Shakira e arrematou com salsa. É, da salsa não precisava. Vi que era hora de partir.

Mas a homenagem musical do pub não foi de todo ruim e isso só fui notar no dia seguinte, quando ouvi no coiffeur o rádio a toda: TCHE TCHERERE TCHE TCHE TCHE TCHE TCHE TCHE, GUSTAVO LIMA E VOCÊ! Depois da semi síncope de vergonha, a bichinha cabelereira de Avignon (que usava lentes de contato coloridas, la pauvre) me perguntou porque eu não gostava da música... se todo mundo adorava... Me perguntou o que quer dizer a letra... (QUE LETRA?) e também quis saber de Michel Teló, obviamente. Ficou chocadíssima em saber que o significado de "Ah, se eu te pego" (essa pelo menos tem algum, por mais pífio que seja) é “Ah, si jê t´attrape”... Essa era uma fama que eu preferia que o Brasil não tivesse... ou se tivesse que fossem por outros méritos musicais, mas enfim, como eles não compreendem a letra, talvez não apreciariam tanto um samba da nova geração como Roberta Sá ou qualquer coisa similar de mais requintado. É música para as massas, o que importa é o ritmo, e esse pegou. E é... é... é do Brasil, sil, sil. Por bem ou por mal, estamos na moda. Aceite.

Nas rodas mais cultas, a literatura é sempre tema. Aí nos saímos com mais classe. Citam Paulo Coelho, mas a estrela mesmo é Jorge Amado. "Que sorte você tem de poder ler Jorge Amado no original, em português, sem intervenção de tradutores... E saber de tudo aquilo que ele fala, da Bahia, dos temperos, das frutas, os cheiros..." Quer saber? Tenho sorte mesmo. <3>

*Apenas reprodução do discurso que escuto sobre a visão deles da nossa política. Longe de mim entrar nesse mérito. Sério.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Magia das Cartas (em especial as de Amor)

Postal de Picasso à Gertrude Stein, 1915 (bem "Meia Noite em Paris" rs). Acrescento que como calígrafo Picasso era apenas um excelente artista, pois de todo o conteúdo o pouco compreensível é:
"Mais non Gertrude il n´y pas de moments(?) et je n´ai ou encore qu´en mastigue qui, (....) tué d´ailleurs. Souviez/Souriez (?) si le coeur vous/nous (...) oui. Mille bonne chose mille Fokls (folks, peut-être?) de nous dens t´a vouy(?) Votre Picasso."

Tudo o que está em itálico ou que falta entre parentêses é o que não entendi, partes necessárias pro contexto... Lanço aqui portanto o primeiro concurso cultural do blog, mais de quatro anos depois de sua estréia: Se alguém entende o francês e me fizer uma tradução razoável, ganha uma semana de estadia em Paris. No sofá. (Rs)

Mesmo que superconectada a um sem número de redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, Pinterest, Blog, Tumblr) ainda escrevo muito em papel, talvez mais do que deveria. Junto com a alfabetização, ganhei (acreditem se quiserem) um pequeno calo no dedo médio da mão direita, que persiste até hoje, um "troféu" às avessas conquistado por tanto escrever. Para o trabalho, necessário que seja direto no teclado do computador, para redigir, pesquisar dados, inserir ou cortar, editar e enviar. Mas quando se trata de elucubrações pessoais, textos de cunho perigosamente autobiográficos, devaneios, exorcismos de angústias ou até mesmo lista de afazeres do dia, prefiro mesmo papel e caneta. E quando o assunto é sentimento... Nada melhor do que a boa e velha carta. Existe telefonema, e-mail, whatsapp, skype... Mas nenhum deles tem o toque. O papel que você tocou, pegou, escreveu, dobrou, colocou no envelope e selou com um beijo é o mesmíssimo papel que vai chegar às mãos do destinatário da sua mensagem. É de alguma forma uma maneira de tocar de verdade a pessoa, um presente material, físico, que se pode ler, reler, colocar embaixo do travesseiro, usar como marcador de livro, colocar dentro da bolsa...
Ainda que mantendo o hábito de escrever em papel, bloquinhos, moleskines, agenda e afins, estava afastada da magia das cartas desde que me deparei com “O Rio é tão Longe”, de Otto Lara Resende (Ed. Cia das Letras), uma apaixonante coletânea de suas cartas ao amigo de infância e também escritor, Fernando Sabino. Mesmo morando em cidades e às vezes países diferentes por boa parte de suas vidas, mantiveram a amizade por meio das missivas constantes de Otto, um inveterado epístola. A mineirice das narrativas, a riqueza de detalhes do dia-a-dia contado ao amigo, as aflições, as alegrias, os planos... Dei boas risadas e derramei algumas lágrimas com o livro, e isso de alguma forma me fez relembrar o quanto é fantástico escrever e receber cartas.

Me arrependo de ter rasgado em milhares de pequenos pedaços cartas lindas do meu primeiro namorado. Eram provas de um amor que pode não ter se concretizado em sua plenitude, mas que em seu momento foi real. Da humilde sabedoria balzaquiana dos meus trinta anos, meu conselho às jovens senhoritas: não se desfaçam das cartas de amor. Simplesmente não. Ok rasgar as fotos, jogar fora presentes e bloquear o dito cujo no facebook. Mas mantenha as cartas. Há nelas algo de mágico que transcende o tempo e se destruídas forem, podem despertar uma maldição. Como quebrar um espelho pode trazer sete anos de má sorte (é, eu não falo nem escrevo tal palavra), desmaterializar uma carta de amor tem efeito similar. Se vos consola saber, faz exatos sete anos que cometi tal imperdoável engano. E enfim reencontrei um novo amor desses merecedores de receber cartas escritas à mão e enviadas pelas sensacionais instituições chamadas Correios. Coincidência? Tirem suas próprias conclusões.

Longe de casa, a carta ganha ainda mais importância. É preciso escrever, endereçar, selar, ir até o Bureau de Poste e enviar. Não é simples, não é moderno, não é prático. Mas como disse Pessoa, “Tudo vale a pena...”. E sim, obrigada Deus, minh´alma é grande. O inconveniente, e ao mesmo tempo belo, das missivas postais além-mar é que quando chegam ao destinatário, as ideias ali contidas podem já ter se esvanecido, alguns sentimentos se perdido, algumas dúvidas solucionadas. Cartas são sólidas, eternas, e exigem o mesmo grau de comprometimento. Sentimentos escritos em cartas duram mais tempo, pois não voam no cyberespaço. Vão por mar, pelo ar, pela terra e pelo homem. Viajam de navio, avião, caminhão e na bolsa do carteiro até chegar embaixo da sua porta. O papel eu posso beijar com meu batom vermelho que você gosta, mas também não gosta porque não pode me beijar. E dentro do envelope posso colocar uma pétala de rosa do verão parisiense, que com sorte vai levar um pouco do mesmo aroma que eu respirei aqui para que você sentir aí.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Si tu a un coeur... ou aime les livres

O título do post era o pensamento que não me saía da cabeça quando meu corpo deixou a sala de projeção. Sim, o corpo, pois meu coração ficou lá. Naquela história. Se você tem um coração (todos nós, não? Ok, quase todos...) ou se você ama os livros... Tem que assistir a esse filme: Minhas tardes com Margueritte.

Germain é um homem já maduro e um tanto chucro, iletrado, sempre teve dificuldade com leitura, nunca foi dotado de, digamos, um intelecto privilegiado. Com uma infância amargurada e uma mãe tão amarga quanto, construiu sua vida na mediocridade até que em um banco de praça conhece Margueritte (com dois t´s), uma senhora de 95 anos que mora em uma casa de repouso para idosos e tem nos livros sua grande paixão. A partir daí, mes amis... Seria pecado dizer-lhes mais qualquer coisa.

Só vos digo que a cidade de Pons, onde foi filmado o longa (uma adaptação do romance de Marie-Sabine Roger e dirigido por Jean Becker) é idílica, uma típica cidadezinha do interior francês na qual se quer viver senão toda a vida pelo menos uns bons meses. E que os protagonistas fazem um excelente trabalho. Gérard Depardieu , o próprio, teve dificuldades de fala e leitura até a adolescência, quando se soltou graças ao teatro, tornando-se o que é hoje... E Gisèle Casadesus... nasceu em 1914 (sim, quase uma centenária) e fez seu primeiro filme em 1934, então... o que mais posso dizer? Que fui a última a sair da sala de cinema? Bem, isso já está implícito. E inspirada. Com vontade de ler... e de falar e pensar mais em francês. É, tem coisas que seulement le cinema français fait pour vous! ;) 


*Para quem entende o francês, é um deleite poder ir além da legenda, sentir as palavras como foram feitas para serem recebidas, porque o roteiro é pura poesia. Porque por melhor que seja uma tradução, às vezes algumas essências se perdem... como em um perfume. Falei que tô inspirada, né? Em São Paulo está passando no Reserva Cultural, corram!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Leitura em dia

E quem disse que moda e literatura nunca se dariam as mãos? Pelo menos assim tão literalmente ninguém tinha imaginado. Mas a francesa (again... porque, Deus?) Olympia Le Tan imaginou. E fez. Clutchs fofas com carinha de livros! Capa, nome do autor e tudo!


O título pode até ser de terror, mas o forro é muito fofo!!!

Clemence Poesy e Natalie Portman já foram vistas com as suas nos últimos red carpets!



A designer Olympia Le tan, "lendo" seu exemplar de Ernest Hemingway, fina.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Angelologia

Não escrevi o nome do post errado não, o nome do livro é esse mesmo: Angelologia, título de estréia da autora americana Danielle Trussoni. Há tempos não falava de livros por aqui, né? Pois essa é minha dica no momento, acabei de terminar. Trata-se de um romance ficcional que mescla o sobrenatural (em alguns momentos bem pouco crível, diga-se de passagem) a fatos históricos verdadeiros e lugares reais, bem ao estilo de O código da Vinci e Anjos e Demônios, de Dan Brown. Daqueles bem difíceis de largar, mesmo quando o sono chega e a pálpebra pesa, você quer pelo menos acabar o capítulo, sabe como é? Vale a leitura das 450 páginas. Li em uma semana.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Comer Rezar Amar, o filme


Outro livro "para garotas", mas muito mais recheado de reflexões de vida e cheio daquelas páginas que lemos duas ou três vezes na sequência tamanha a densidade e/ou identificação de seu conteúdo, que nos fazem rir, chorar e ficar intermináveis minutos pensando sobre determinada passagem ou capítulo é Comer Rezar Amar. Postei sobre ele aqui no blog em setembro de 2008: www.marilialevy.blogspot.com/search?q=eat+pray+love


A boa notícia é que ele virou filme e estréia aqui no Brasil dia 01 de outubro, ou seja, ainda falta um bocado, mas o trailer já está no youtube: www.youtube.com/watch?v=iZzmqHJ0gPU


A história REAL eu acho uma delícia, uma jornalista super bem sucedida e casada que tinha aparentemente o que TODA MULHER SONHA EM TER. Mas estava infeliz. Largou tudo e passou um ano viajando. Quatro meses na Itália, quatro meses na Índia e quatro meses em Bali, na Indonésia. É ou não é o sonho interno secreto de qualquer ser humano em algum momento da vida, fugir por um tempo da própria realidade para poder se reinventar?


Na foto, Julia Roberts, que eu achei perfeita para viver a Elizabeth Gilbert (autora e personagem) e o ultra handisome Javier Bardem, que interpreta Felipe, o namorado BRASILEIRO que a fofa arranjou na última fase do trajeto: LOVE. Chega, não vou contar mais nada. Amei o livro, amo a história e estou louca para ver o filme.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Diários de Carrie

Livro da categoria chick lit que amamos. A chamada de capa "Conheça Carrie antes de Sex and the City" já é convidativa. Da autora Candance Bushnell, o romance apresenta Carrie em seu último ano de high school numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. Em alguns capítulos notamos a verve bem-humorada da nossa conhecida heroína ainda adolescente no final dos anos 70. Sua primeira paixão arrebatadora, sua primeira desilusão amorosa, o relacionamento com as irmãs, com o pai e a lembrança da mãe falecida e os primeiros passos como escritora wanna be. Bacana a construção "retroativa" da personagem, em vários momento conseguimos identificar que a Carrie de hoje se formou por conta deste ou daquele fato de sua vida pregressa... Desnecessário dizer que é uma leitura super fácil e leve, para devorar nas salas de espera de aeroporto e afins, como eu fiz em minha última viagem. Não é indispensável, mas recreativo.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Brentano´s

Continuando com as dicas parisienses. Sabe aquela livraria e papelaria na qual as horas passam e você nem sente? Em Paris ela atende pelo nome de Brentano´s e fica na 37 Avenue de l´Opera. Entre sem pressa. Lá estão uma infinidade de livros de moda, foto, arte, cartões postais belíssimos, calendários, caderninhos, agendas, papéis de carta... Livros das editoras que amamos mas que aqui no Brasil são caréssimos como Taschen, Flamarion, Assouline, La Martiniére lá estão a preços reais e compráveis. Eu aproveitei e ampliei minha biblioteca fashion artsy.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Mauvais garçon

Ainda na série incansável e sem fim Descobertas de YSL. O passeio na livraria do museu de moda (des Arts Decoratifs) rendeu e saí do número 107 da Rue de Rivoli com uma baita sacola. Entre outras coisas, achei o livro Yves Saint Laurent - Mauvais Garçon, uma biografia não autorizada do estilista, da jornalista francesa Marie-Dominique Lelièvre. Já tinha lido alguma coisa sobre o livro, lançado na França em janeiro deste ano, na imprensa brasileira e quando o vi dando sopa na prateleira não pensei duas vezes. Estou ainda no começo mas a leitura é leve e cheia de detalhes quentes da vida de Yves. O título Mauvais Garçon, garoto mau já diz muito. Marie-Dominique desvenda o mito de gênio e bom moço e descortina uma personalidade atormentada pelo próprio talento e sucesso, um homem frágil e ansioso, dependente de whisky, cocaína e anfetaminas. A autora da biografia (também não autorizada) de Serge Gainsbourg conversou com 50 pessoas ligadas a Yves, entre amigos, modelos e musas, funcionários, médicos e familiares e construiu um personagem bem diverso daquele que estamos acostumados a reverenciar. Vou devorar, to mega curiosa. O comecinho já tá demais, ele era amiguinho do Lagerfeld e circulavam por Paris fazendo miséria nos 60´s, meu bem... Um bapho só...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pai da vilã







Faceta desconhecida de YSL é a de pai da Lulu. Sim, o estilista criou uma personagem chamada La vilaine Lulu (A vilã Lulu), uma menina mimada e egocêntrica de saiote vermelho, chapéu e sapatinhos pretos. Comprei na livraria do Musee des Arts Decoratifs uma reedição do original de 1967 do livro, um misto de desenhos soltos e história em quadrinhos, das Editions de la Martinière. Apesar de ser um livro de ilustrações está longe de ser infantil, tem humor ácido e conotações de sexualidade. Por meio da aparentemente ingênua Lulu, Yves debocha de seus contemporâneos, do meio da moda e dos costumes da sociedade da época. Não se surpreenda ao encontrar na obra do gênio com cara de bom moço traços de inteligencia sagaz e uma pitada de crueldade. Nada politicamente correta essa Lulu. E por isso mesmo divertidíssima. O livro está à venda também pela Amazon.com e em algumas livrarias brasileiras.
*Em uma das imagens acima, Lulu se admira no espelho e diz (tradução amadora): Eu me amo. Um pouco. Muito. Apaixonadamente. Loucamente! Bom, qualquer semelhança com a realidade da moda de outrora e de hoje em dia NÃO é mera coincidência.

Le Petit Nicolas


Tem coisa mais fofa do que criança falando francês? Para quem não conseguiu pensar em uma boa resposta em menos de 10 segundos, o filme do final de semana é o infantil (bom pra levar filho/afilhado/sobrinho) O Pequeno Nicolau. Do original francês Le Petit Nicolas, uma série de livros do René Goscinny (mesmo autor do Asterix) com ilustrações de Sempé, outra lenda cultural francesa. No longa o fofo Maxime Godard vive Nicolas, aflito com a possível chegada de um irmãozinho. Uma graça. Eu li um dos livros da série e já vi o filme, que estreou nos cinemas franceses em setembro do ano passado e agora está em cartaz em oito salas de São Paulo. Altamente recomendável! Nicolas est un chouette copain! hehe FOFO!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Falando neles...

Gato é mesmo um bicho muito querido. Além de estar super bem cotado no universo da moda, os pequenos felinos sempre foram adorados por poetas e escritores. Pra mim, não há animal que combine melhor com livros e intelectualidade do que os gatos domésticos. No Brasil, vide Ferreira Gullar, cuja paixão pelos bichanos é explícita. E na foto, o escritor Ernest Hemingway, americano autor de mega clássicos como O sol também se levanta, Porquem os sinos dobram e O velho e o mar, com seu giga gato peludo e lindo. E uma garrafa de vinho, é claro. Inspirador.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Pechinha cultural

Essa é dica de uma querida que encontra verdadeiros achados na rede. No Submarino, o livro Marilyn Monroe - o Mito, de Bert Stern, com 62 fotos do último ensaio fotográfico da atriz lendária e 128 páginas, sai por R$10! Um livro de arte, com fotos míticas que já estiveram expostas no Museu Maillol de Paris... É ou não é incrível? http://www.submarino.com.br/produto/1/21246125/marilyn+monroe+:+o+mito

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Água para elefantes


Pela terceira vez abandonei Dostoievsky. Não consigo avançar em Crime e Castigo. Vou tentar outra tradução, porque não é possível... Aquela agonia do rapaz, a penúria, o crime e todo o sofrimento e angústia que se seguem não me cativam em absoluto. Não consigo, não me é uma leitura prazeirosa... E leitura pra mim é prazer, gente... Enfim... Larguei o querido Dostô e agarrei Água para elefantes, da Sara Gruen. Toda emoção que não tive em 120 páginas lidas do russo, tive em 20 primeiras das escritas pela canadense. Chorei e tudo! Estou amando a história, vou devorar nesse final de semana. Não é a toa que ficou meses a fio na lista dos mais vendidos do The New York Times. É lindo.

terça-feira, 17 de março de 2009

Gucci


Não é toda marca que rende um livro, não é? Tá certo que com com um ano de atraso, mas por conta de uma matéria que estou fazendo, comecei a ler o livro que conta a história da marca italiana Gucci. Atendendo às recomendações, no original em inglês. Depois conto mais, só sei que vai virar filme pela Fox e já está sendo rodado com a direção do Ridley Scott. A família está apreensiva e diz que se não gostar do filme, proíbe sua veiculação... Vamos ver o que vem por aí. Enquanto o filme não chega, leiam o livro. Além de entretenimento, é aula sobre os negócios da moda no mundo contemporâneo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Higher

Sempre me orgulhei de ler os lançamentos, todos os que estavam na lista dos mais vendidos da Ilustrada e da Veja... Os clássicos me davam um certo ranço de colégio, e de alguma maneira eu imaginava que por não serem contemporâneos não tinham nada a ofecerer. Até que um amigo me disse que eu tinha que ler John Steinbeck. Sim, minha reação foi exatamente essa. "João quem???" Mas segui o conselho e estou mergulhada nas páginas de A leste do Éden, um dos clássicos do autor americano, ao lado de Vinhas da Ira e Boêmios Errantes. Gente, é tanta riqueza de personagens, de cenários, os perfis psicológicos são tão completos que passam a impressão de que a gente conhece a fundo todo mundo envolvido na trama... E quando a gente acha que tá perfeito de tão vibrante, aparece um novo elemento que encanta ou choca... Simplesmente incrível. Uma aula sobre os tipos humanos mais diversos, as agruras e desafios da existência... Um livro sobre força, fraqueza, desejos, segredos, sobre a vida. Sério, larguem já aquele best-seller qualquer e leiam. Próxima estação: Dostoiévski. E depois Philip Roth, que o povo diz que é um dos, senão o único contemporâneo que realmente vale a pena.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ballet em páginas


Acabo de ganhar o livro "Bastidores do Municipal" , coletânea de imagens do fotógrafo Bruno Veiga, que passou um ano nas coxias o Municipal do Rio de Janeiro captando todos os movimentos dos bailarinos, músicos e técnicos, nos ensaios e espetáculos. Lindo, lindo, lindo. Sempre amei ballet, desde a época em que treinava o pliè com seis anos de idade. Infelizmente, abandonei a "carreira" aos dez anos, bem antes de chegar à sapatilha de ponta, mas os comandos de elevè, e demais subdiretrizes do pas des deux me marcaram a infãncia, assim como vestir a meia calça rosa e fazer o coque envolto em redinha. Tudo no ballet é mágico e esse livro não poderia ser diferente. Leva o leitor ao universo lírico da dança e também homenageia os 100 anos do Municipal carioca. Da editora Desiderata, com texto de Mauro Trindade e prefácio de Luiz Paulo Horta.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Castelo de Vidro

Acado de ler mais um título na linha "mais vendidos". Prometo que vou voltar minha atenção aos clássicos, pelo menos agora nesse período de recesso no trabalho. Mas "O Castelo de Vidro", que passou dois anos na lista de best-sellers do The New York Times, tem seus méritos. São as memórias da bem sucedida jornalista americana Jeannette Walls, que teve uma infância de extrema pobreza ao lado do pai alcóolatra e da mãe negligente e (não havia esse diagnóstico no livro, mas dá pra reconhecer de longe pelo comportamento e atitudes) bipolar. Jeannette e os três irmãos recolhiam o que comer no lixo e moraram em estações de trem abandonadas à casebres úmidos e sem aquecimento. Mas ao mesmo tempo em que a criação das crianças era inóspita e desprovida de estrutura e disciplina, era incentivadora da curiosidade, da aventura, da leitura e descoberta, o que fez com que as crianças Walls fossem consideradas bem dotadas em algumas das escolas por que passaram. Em dado momento, os filhos cresceram e foram tentar a vida em Nova York. Os pais nômades acharam a idéia interessante e acabaram seguindo os passos dos "herdeiros". Na Big Apple viraram moradores de rua. Um livro inspirador, que instiga emoções das mais diversas. Os capítulos breves e a linguagem leve impulsionam a leitura e permitem que as 360 páginas sejam vencidas ao cabo de uma tarde ociosa de domingo. É acima de tudo uma história de superação e mudança de vida. Do sofrimento, escassez e falta de dignidade à vida próspera, saudável e feliz, contadas sem um pingo de mágoa nem de ressentimento. Serve tanto para valorizar o que temos como para buscarmos sempre mais.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Imagens do Brasil


Uma notícia que tem tudo a ver com um post da Ivi que li lá no divertidíssimo e às vezes ultra reflexivo blog http://www.vodcabarata.blogspot.com/ . Repercutindo as palestras do Pense Moda (faz tempo, eu sei, estive fora de órbita trabalhando too much) ela constatou que o povo fashion não vê o Brasil. Gasta os tubos indo buscar referências em Índia, Marrocos, Turquia ou Rússia e esquecem a Amazônia, o Pantanal, o Nordeste, todos esses lugares riquíssimos de cultura, imagens, cores e texturas, cheiros e sabores, tudo tão inspirador quanto se não ainda mais. É tão verdade... Então, vamos olhar pra dentro! Sabe aquele fotógrafo bárbaro que fotografa cenários nativos brasileiros há décadas, um dos pioneiros da fotografia de natureza no país? Araquém Alcântara! Pois ele já realizou exposições em todo canto do mundo, (a última foi em Nova York) e agora está lançando três livros simultaneamente, poder! São eles Mata Atlãntica, Bichos do Brasil e Cabeça de Cachorro, esse com imagens lindas da Amazônia e texto do Drauzio Varella. São desses livros gigantes, pesados e decorativos, bem estilo table books. O lançamento oficial é dia 17 de dezembro na livraria Cultura, em São Paulo. Mas recomendo fortemente desde já. Veja mais em http://www.araquem.com.br/